Inspirada por Elizabeth Bishop

Não me lembro mais o dia, faz tempo. Mas me recordei agora da beleza da história de uma poetisa que eu não conhecia, mas alguma coisa despertou a minha vontade de saber quem era.

Entrei no Eva Herz, o teatro da Livraria Cultura, para assistir “Um Porto para Elizabeth Bishop”. O cenário estava limpo, tinha um balcão e uma sala de estar. Seria um monólogo, talvez monótono, mas a Regina Braga me convidou com aqueles olhos lindos.

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Desembarcou em um porto, atônita e confusa, sem querer estar nesse país, mas já estando. Uma americana perdida em solo brasileiro. Vivenciou o modernismo, conviveu em um mundo de arte se apaixonou pela mulher de uma amiga, a quem amou fielmente. Em uma fase da vida, deprimida com a ausência contínua da amada Lota que se envolvera com política, não conseguia escrever, vivia esperando o dia que em ela, Lota, voltaria de viagem para passar uma tarde ou duas.

Cenas depois, o casal é separado pela morte de Lota. Elzabeth, depois da tristeza, escreve o mais famoso e belo poema que encerra o espetáculo:

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A Arte

A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois, perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudades deles. Mas não é nada sério.
Mesmo perder você (a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por muito que pareça (escreve) muito sério.

Elizabeth Bishop

A peça não está mais em cartaz, mais foi uma ótima recordação que não havia escrito aqui.

 

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Fotos da peça
http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/2900-um-porto-para-elizabeth-bishop#foto-57110

Fotos da casa de Elizabeth
http://casavogue.globo.com/interiores/a-casa-de-elizabeth-bishop-no-brasil/

Margaret Thatcher, “a dama de ferro”

Nessa segunda-feira, véspera de feriado e dia útil na empresa em que trabalho, eu combinei de sair com meu namorado e meus afilhados de casamento.

Jantamos, conversamos e resolvemos assistir a uma sessão no agora Espaço Itaú de Cinema do shopping Bourbon.

 

A Dama de Ferro – 21h50

Margaret Thatcher tinha objetividade, força e preceitos que conseguiu levá-los consigo desde a infância e que a tornou grande, fazendo-a encarar firmemente os preconceitos de uma época onde os homens dominavam a política de uma forma plural e significativa.

Entrou no partido conservador e fez com que a ouvissem, tornando-se primeira-ministra.

O filme foi excelente. Eu pude aplicar as noções de história econômica que aprendi durante uma aula na faculdade.

Em 29 de outubro de 1929, a quebra da bolsa de Nova Iorque causou uma retaliação na economia do mundo, nada funcionava, não havia comércio aberto, não havia empregos. O pouco que as pessoas tinham, assim como o muito que possuíam os investidores, fora perdido.

Discutia-se a economia, mas os princípios liberalistas faziam com que o governo não se movesse para interferir para bem ou mal no andamento do mercado. A “mão invisível” levara o mundo à falta de dinheiro para se manter.

Embora o contexto do filme seja voltado à biografia, eu mergulhei na figura mulher e político-econômica de Margaret Thatcher no que diz respeito à postura e à recuperação do Estado, tentei achar o encaixe do ensino de história às tomadas interligadas aos pensamentos apresentados em flashes.

Durante a crise economia inglesa Margaret utilizou o Neoliberalismo, estudo da Escola Americana de Chicago, que, ao contrário da idéia Liberalista de retirar o governo do controle do mercado, dizia que o Estado poderia influenciar na economia, contanto que fosse para regularizar a situação e deixá-lo estável.

A princípio, a negação foi um grande desafio. Thatcher enfrentou os riscos iniciando o processo de privatização de empresas de energia elétrica que era a indústria que mais movia verbas devido ao alto consumo pela população.

Essa medida trouxe qualidade a preços elevados, mas que logo se regularizaram ao gerar concorrência e uma nova postura de governo.

Assim como li em um comentário na rede, ele poderia ser “O Discurso do Rei”desse ano – filme que gostei bastante – se relatássemos uma biografia histórica, mas um não se aplica ao contexto do outro.

“A Dama de Ferro” trouxe o lado bom do governo e quis apresentar Margaret Thatcher  ao público que  não a conhecia. É um ótimo filme, com a atuação excelente de Maryl Streep. Uma boa oportunidade das pessoas conhecerem um milímetro da história apresentada deficientemente nos ensinos básicos públicos.

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Melhor crítica: http://noticias.r7.com/blogs/rubens-ewald-filho/2012/02/16/estreia-a-dama-de-ferro/