XINGU

Um tempo depois de lutar contra a preguiça de domingo em um dia de chuva, sai para assistir “Os Vingadores”, gosto estranho ao meu, mas eu faria a vontade da minha companhia…

Chegando ao Bourbon Shopping, não havia mais sessão. Optamos por assistir Xingu. Eu sabia que o filme não seria ruim devido aos trailers, documentários e divulgações gerais feitas na televisão.

Conclusão? O filme foi surpreendente. Toda a trajetória foi resumida sem que se perdesse no enredo ou parte da história. A luta dos Villas-Bôas pelos direitos indígenas foi bem colocada e fez com que eu refletisse muito.

Fato: Nós brasileiros valorizamos nossa cultura até que ponto? Quanto nos preocupamos verdadeiramente com nossa natureza? Até que ponto e a que custo vale-nos o “progresso”?

Nos voltamos tanto às culturas americanas, às tecnologias e aos “globalizados”, mas não enxergamos o que nos custa tentar ser como eles. Em nome do progresso os governantes passaram por cima das culturas, civilizações, das florestas… E ainda passam, afinal, o que nos permite o novo Código Florestal? O que está sendo feito em Belo Monte?

Esse filme me conscientizou ainda mais sobre a importância da preservação, da cultura dos povos e da valorização das diferenças existentes no território nacional.

Quebrem os preconceitos contra os nossos filmes nacionais, eles têm mudado para melhor… Essa é a minha propaganda gratuita para que todos assistam Xingu e, quem quiser, depois converse comigo sobre o assunto. Ainda tenho muitas ponderações a fazer, além das que eu já fiz no dia que eu assisti.

Margaret Thatcher, “a dama de ferro”

Nessa segunda-feira, véspera de feriado e dia útil na empresa em que trabalho, eu combinei de sair com meu namorado e meus afilhados de casamento.

Jantamos, conversamos e resolvemos assistir a uma sessão no agora Espaço Itaú de Cinema do shopping Bourbon.

 

A Dama de Ferro – 21h50

Margaret Thatcher tinha objetividade, força e preceitos que conseguiu levá-los consigo desde a infância e que a tornou grande, fazendo-a encarar firmemente os preconceitos de uma época onde os homens dominavam a política de uma forma plural e significativa.

Entrou no partido conservador e fez com que a ouvissem, tornando-se primeira-ministra.

O filme foi excelente. Eu pude aplicar as noções de história econômica que aprendi durante uma aula na faculdade.

Em 29 de outubro de 1929, a quebra da bolsa de Nova Iorque causou uma retaliação na economia do mundo, nada funcionava, não havia comércio aberto, não havia empregos. O pouco que as pessoas tinham, assim como o muito que possuíam os investidores, fora perdido.

Discutia-se a economia, mas os princípios liberalistas faziam com que o governo não se movesse para interferir para bem ou mal no andamento do mercado. A “mão invisível” levara o mundo à falta de dinheiro para se manter.

Embora o contexto do filme seja voltado à biografia, eu mergulhei na figura mulher e político-econômica de Margaret Thatcher no que diz respeito à postura e à recuperação do Estado, tentei achar o encaixe do ensino de história às tomadas interligadas aos pensamentos apresentados em flashes.

Durante a crise economia inglesa Margaret utilizou o Neoliberalismo, estudo da Escola Americana de Chicago, que, ao contrário da idéia Liberalista de retirar o governo do controle do mercado, dizia que o Estado poderia influenciar na economia, contanto que fosse para regularizar a situação e deixá-lo estável.

A princípio, a negação foi um grande desafio. Thatcher enfrentou os riscos iniciando o processo de privatização de empresas de energia elétrica que era a indústria que mais movia verbas devido ao alto consumo pela população.

Essa medida trouxe qualidade a preços elevados, mas que logo se regularizaram ao gerar concorrência e uma nova postura de governo.

Assim como li em um comentário na rede, ele poderia ser “O Discurso do Rei”desse ano – filme que gostei bastante – se relatássemos uma biografia histórica, mas um não se aplica ao contexto do outro.

“A Dama de Ferro” trouxe o lado bom do governo e quis apresentar Margaret Thatcher  ao público que  não a conhecia. É um ótimo filme, com a atuação excelente de Maryl Streep. Uma boa oportunidade das pessoas conhecerem um milímetro da história apresentada deficientemente nos ensinos básicos públicos.

***

Melhor crítica: http://noticias.r7.com/blogs/rubens-ewald-filho/2012/02/16/estreia-a-dama-de-ferro/