Dissertando sobre uma frase conclusiva entre a Camila e eu


Nossa, fazia uma cara que eu estava para fazer essa publicação, tanto que foi em uma sexta-feira que tirei banco de horas no serviço e tinha marcado de ir à sorveteria com a Camila, no outro dia, fez um friozinho chato e resolvemos ficar na casa dela comendo brigadeiro e conversando. Aquela tarde foi legal, me lembro que fiquei com medo de me perder no trajeto entre a casa dela e a Barra Funda, além de termos sido cobaias de um chocolate em pó estranho.

capa

Nesse dia, cometi outro ato consumista: alimentei o meu vício comprando um exemplar até então recém lançado do livro da Charlotte Bronte, o clássico literário Jane Eyre. Conclusão? Hoje ainda evito entrar em livrarias, pois tenho muito o que ler.

***

Inicianto o texto a que o título se refere, segue o original, datado no meu pen drive de 25/07/2011…

 

 

Dissertando sobre uma frase conclusiva entre a Camila e eu nessa sexta.

Adorei revê-la e passar à tarde com você…

Melancia com farofa – Dentre todo o repertório, podemos encontrar: De quem é esse jegue, Besame mucho, O banquinho da bicicleta, Ai minha mãe e outras pérolas…

Ao reler o “caderno” com a Cá, mal acreditei nas coisas que fazíamos, confesso que algumas são passíveis de adolescentes, mas outras, dignas de sarro…

Relembramos as situações ocorridas no “caderno” bem como quando todos na sala tinham apelidos estranhos (com exceção da gente, muito obrigada por isso) e concluímos que naquele tempo não existia essa mídia sobre bulliyng: ou o cara era forte e ignorava as piadas ou ele seria forte…

Eu não me lembro de nada cruel por parte da turma e, pelo contrário, todos eram amigos e a maioria tinha apelidos. A coisa só era complicada quando envolvia futebol ou quando uma menina ficava com meninos de outras meninas, a ridícula “briga por machos” que nunca nos envolvemos…

Estamos progredindo em alguns aspectos, não acha? Hoje a mídia divulga situações de discriminação e muitos vídeos são encontrados no youtube para conhecimento de fato.

Imagino o quanto é depreciativo o ponto em que os tratamentos para com outros chegou, não discuto a famosa abordagem “xenofobia, homofobia, etc.” até porque todos conhecem a minha visão, ou melhor, aversão, sobre isso: atitude repulsiva e inconcebível. Mantenho o meu direito de me espantar com certos comportamentos onde percebo a natureza de um bicho-homem (não animal, coitado destes) se manifestar dentro das pessoas (pessoas?) sem o cultivo do amor ao próximo e a indiferença pelos sentimentos dos outros.

Com relação aos escárnios sofridos pelos jovens, casos que são explorados e adotados pela mídia a fim de obter ibope e, ao mesmo tempo, se manifestar por meios legais e, até então, livres, a fim de obter alguma posição da sociedade e mobilizar todos a atentar-se a essa realidade corriqueira, cobrando atitudes e atenção a esse comportamento que está construindo o adulto de amanhã e, comummente vivida em todo o canto do mundo, ufa, verifico a inconformidade das medidas educacionais base no país. Sei que isso é comum no mundo, por vezes ouço dizer “ah, isso acontece sempre nos Estados Unidos”, acredito que o dia em que o Brasil puder caminhar por si sem abanar a calda para comparações externas, buscando se entender e, como tal, tratar o povo sem comparativos focando na necessidade e providência, deixará de ter apenas indignações visto a possibilidade de erradicar essas situações não somente levantar questões e colocá-las na “prateleira de pendências”.

Também se podem observar nessa “prateleira das pendências” os espelhos da educação do povo que circula pelas ruas da cidade: a população não se conforma em só em ser desrespeitado pelos governantes, como também usam essa atitude faltando com respeito aos demais como ele.

O que digo pode ser exemplificado de várias formas, mas escolhi a seguinte: podemos chamar de falta de respeito ao trabalho o descaso pelos cidadãos que prestam serviços de limpeza nas vias públicas. Se temos como evitar o ato de jogar o lixo em ruas, córregos e vegetação, por que o fazemos? Por que buscamos chegar ao ponto de entupir os bueiros e canais? Ainda posso ir mais longe: Se fazemos isso, por que no indignamos ao assistir na televisão os alagamentos e prejuízos às famílias atordoadas e chorosas se somos nós os indivíduos que jogam a “sacola inocente”? É claro, nosso lixo é tão magnânimo que não seria capaz de se arrastar com o vento e/ou com a chuva até um canal de escoação de água.

Outro exemplo é o dia a dia: nos deparamos com o maior padrão de educação nas estações de trem. A princípio notamos esse alto nível vindo do governo, depois o das pessoas, quem pega trem seis horas da tarde na estação da Luz ou Sé sabe do nível dez de respeito e educação que estou falando.

A educação não parte da escola, e sim da base e valores empregados na vida para que se constitua um alicerce na mente daquele que está se formando e para que estes não se tornem os educados cidadãos que encontramos hoje. É certo que a idéia é tanto utópica, pois desde que me entendo por gente, o mundo é dessa forma e isso vem desde os princípios portugueses da colonização. Sempre existirá a classe da “gente diferenciada” não enxergada por conveniência, que terá que sofrer e correr atrás de oportunidades enfrentando as dificuldades e desrespeitos.

A ausência dos olhos que enxergam o outro, de pensar que podemos prejudicar direta e indiretamente os outros sendo por agressões ao ambiente ou tantas outras formas de desrespeito, nos diminui humanamente, se enxergarmos os problemas dos outros muitas vezes poderemos perceber que os nossos não são os maiores fardos do mundo.

Obrigada pela inspiração, Cá…

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